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Doenças traumáticas

FRATURAS CRANIANAS



As fraturas podem ser lineares (um traço de fratura) ou cominutivas (quando compostas de vários fragmentos). Podem estar associadas a afundamentos (quando o fragmento afunda em direção ao cérebro) ou ainda ser diastásicas (quando há afastamento dos bordos fraturados). As fraturas podem ocorrer em qualquer lugar do crânio, sendo classificadas em:


fraturas cranianas

1. Fraturas da abóbada do crânio – são as fraturas que ocorrem nos ossos frontal, parietal, temporal ou occipital

2. Fraturas da base do crânio

As fraturas lineares clinicamente não representam grande problema, entretanto podem associar-se a lesões vasculares subjacentes ocasionando hemorragias em expansão entre os envoltórios cerebrais (meninges) e a calota craniana, os temidos hematomas extradurais e também os hematomas subdurais. Assim, a detecção de fraturas, inclusive lineares, à radiografia simples de crânio, mesmo que o paciente não apresente sintomas, é motivo suficiente para a realização de uma tomografia, rapidamente, nas primeiras horas do atendimento.

As fraturas cominutivas associam-se mais a lesões cerebrais secundárias. Os afundamentos costumam ser consequentes a golpes aplicados sobre pequenas superfícies ósseas e, em maior grau, também podem associar-se a hematomas, lacerações meníngeas ou contusões.

especialmente importante envolve as fraturas que se localizam na base do crânio. Indicam trauma de maior gravidade e habitualmente decorrem de fraturas lineares que se estendem inferiormente. Ao exame, o médico pode antecipar o diagnóstico das fraturas basais observando alguns sinais típicos: vazamento de líquido cefalorraquidiano pelo nariz ou ouvido (fístulas liquóricas), hematoma atrás da orelha (Sinal de Battle), hematoma ao redor dos olhos (Sinal do Guaxinim) ou, ainda, suspeitar de lesão dos nervos cranianos diante de queixas como fraqueza na face, perda da audição, perda do olfato, redução visual ou visão dupla.

fraturas de tomografia tridimencional

Essas lesões são diagnosticadas através de uma tomografia de crânio realizada no paciente vítima de traumatismo craniano. Quanto ao tratamento, a maioria das fraturas pode ser tratada conservadoramente e não requer tratamento. Os ossos fraturados tendem a “colar” espontaneamente. Entretanto, de maneira geral, as fraturas expostas, ou abertas, por favorecerem a ocorrência de infecções, exigem a intervenção de um neurocirurgião. Elas ocorrem quando temos um corte na pele que se comunica com a área da fratura. A cirurgia também será recomendada se o afundamento do osso for maior que 10 mm, se houver déficit neurológico relacionado às compressões ou hematomas, e quando a fístula liquórica persistir às medidas clínicas iniciais. O neurocirurgião deverá nestes casos explorar a lesão, higienizá-la e corrigir a fratura, quando for o caso de desvios, afundamento, ou mesmo perda de fragmentos culminando com a necessidade de uma plástica local (cranioplastia).

* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.