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Doenças pediátricas

HEMORRAGIA DA PREMATURIDADE



Quais bebês são considerados prematuros e que estão sob risco para esta doença?

mae e bebe

Uma gestação normalmente tem duração de 37 a 42 semanas. Quando os bebês nascem antes de 37 semanas de gestação são considerados prematuros. Quanto mais cedo nascer o bebê, mais prematuro ele é e maior o risco para hemorragia cerebral da prematuridade. Sabemos que estão sob maior risco os bebês nascidos com menos de 34 semanas de gestação.


O que é a hemorragia da prematuridade (HPIV)? Por que ela acontece?

matriz germinativa

A hemorragia dentro ou ao redor do cérebro que ocorre principalmente em recém-nascidos prematuros é atribuída diretamente a imaturidade das estruturas cerebrais, especialmente nas zonas onde ocorre a proliferação celular e vascular do cérebro, uma região chamada de matriz germinativa (MG). Ela é composta de um tecido ricamente vascularizado com seus vasos de finas paredes que estão sujeitos à lesão por alterações no fluxo sanguíneo cerebral, condição que ocorre frequentemente após o parto devido as mudanças do ambiente intraútero para o externo.

A MG tem seu pico de desenvolvimento entre a 8ª e a 28ª semana de gestação, tendendo a desaparecer a partir de então e tornando-se praticamente ausente em bebês nascidos a termo (ou seja, nascidos entre 37 e 42 semanas). Então é fácil imaginar que os prematuros têm maior risco quanto mais cedo nascem, especialmente quando a idade gestacional é inferior a 34 semanas.

hemorragia da prematuridade

Estudos têm mostrado uma frequência de 30% em recém-nascidos com menos de 22 semanas de idade gestacional (IG) e de até 20% dentre todos os prematuros. Vale ressaltar que recém-nascidos prematuros e de baixo peso (abaixo de 1500g ao nascer) tem incidência que pode chegar a 40% de hemorragia ventricular. O sangramento pode ficar restrito a matriz germinativa ou romper a parede ependimária e cair no ventrículo lateral. A hemorragia pode ficar restrita a matriz germinativa ou romper a parede ependimária e cair no ventrículo lateral.

Vários fatores de risco são associados a esse tipo de sangramento, tais como: prematuros extremos, baixo peso de nascimento, falta de administração pré-natal de corticóides, via de parto vaginal, necessidade de ventilação mecânica, administração de derivados sanguíneos, presença de sepse neonatal, hipotensão, apnéia, doença da membrana hialina, persistência do canal arterial, entre outros.


Como é feito o diagnóstico de hemorragia intracraniana em prematuros?

ultrasonografia

Como os bebês recém-nascidos têm a fontanela aberta (chamada popularmente de “moleira”, é aquela parte “aberta” e mole da cabeça do bebê) o exame mais utilizado para fazer o diagnóstico e acompanhamento da hemorragia cerebral é o chamado ultrassom transfontanelar (ultrassom é colocado na “moleira” do bebê para ver dentro do cérebro). A tomografia de crânio pode ser feita, mas é evitada em excesso devido a radiação. A ressonância de crânio é o exame que dá mais detalhes, porém é mais demorada e requer anestesia do bebê, então o neurocirurgião pediátrico geralmente avalia sua necessidade e o melhor momento para fazê-la.


Classificação das hemorragias ventriculares

Após ser feito o diagnóstico precisamos classificar as hemorragias que tem origem na matriz germinativa. Elas são classificadas de acordo com a localização da hemorragia na cabeça do bebê e por onde ela se espalha. São divididas em grau 1 a grau 4, sendo que quanto maior o grau maior a gravidade.

Grau da hemorragia Localização da hemorragia
1 Apenas na matriz germinativa
2 Ventrículo cerebral (sem hidrocefalia)
3 Ventrículo cerebral (com hidrocefalia)
4 Estende-se ao cérebro

Qual o prognóstico neurológico do bebê com esse tipo de sangramento?

A hemorragia peri ou intraventricular (HPIV) é a variedade mais frequente de hemorragia intracraniana neonatal. Ela representa um grande problema em recém-nascidos prematuros, dada sua frequência, gravidade e prognóstico.

bebe prematuro

Hemorragias de graus I e II são mais comuns, ocorrendo em cerca de 75% dos casos, geralmente tem menos complicações. As de graus III e IV são mais graves e podem resultar em danos cerebrais crônicos, como dificuldades na aprendizagem, distúrbios mentais, visuais e auditivos, alteração no desenvolvimento da linguagem e do sistema motor, paralisia cerebral (66%) e alta mortalidade (30%). A hidrocefalia pode ocorrer como complicação tardia em até 1/3 dos bebês com a hemorragia da prematuridade.


Como é o tratamento da hemorragia cerebral em prematuros?

Após o diagnóstico e a graduação da hemorragia, as crianças devem ser monitorizadas com medidas frequentes do perímetro cefálico e do volume ventricular através do ultrassom transfontanelar para se detectar a hidrocefalia pós-hemorrágica. O tratamento cirúrgico pode ser necessário especialmente se o bebê desenvolver hidrocefalia aguda ou crônica (clique aqui para saber mais sobre hidrocefalia em crianças). O neurocirurgião pediátrico nestes casos pode optar por um tratamento temporário para a hidrocefalia, chamado de derivação ventricular externa, ou definitivo como a derivação ventrículo-peritonial. Outros procedimentos como punção lombar ou transfontanelar também podem ser indicados conforme a necessidade.

Após a alta hospitalar, é muito importante que esses pacientes continuem sendo acompanhados pelo neurocirurgião pediátrico, especialmente se tiverem necessitado de uma válvula.

Caso ainda tenha alguma dúvida clique aqui e nos envie uma mensagem.

* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.