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NEURONAVEGAÇÃO

Neuronavegador

O que é neuronavegação?

O termo neuronavegação é um neologismo que caracteriza ao que essa tecnologia se propõe: navegar, ou seja, transitar no cérebro com um caminho certeiro e preciso, como se estivéssemos usando um “GPS” para o cérebro para localizarmos uma lesão específica.


Por que a neurocirurgia com neuronavegação?

Quando o neurocirurgião decide operar uma lesão cerebral (tumor, malformação, etc.) a sua maior preocupação é tirar o tecido doente sem prejudica o cérebro normal adjacente. Isso porque 1 centímetro de cérebro sadio que o neurocirurgião retire a mais em uma área eloquente (chamadas áreas que tem uma função neurológica definida de grande impacto no funcionamento cerebral) como por exemplo a área motora, pode ser a diferença entre o paciente andar ou ter uma paralisia em metade do corpo para sempre. Desse modo, quando temos uma situação delicada como esta, podemos usar a tecnologia de neuronavegação para planejar e executar a cirurgia com maior precisão. Além disso, lesões pequenas (por exemplo de 1 cm) podem ser impossíveis de serem localizadas sem esse recurso.


Como funciona o planejamento e a cirurgia com a neuronavegação?

A cirurgia assistida por computador funciona de forma semelhante ao sistema de navegação de um carro, através do contínuo rastreamento com instrumentos cirúrgicos em relação à anatomia do paciente. Inicialmente o paciente deve fazer um “mapa”, que nada mais é do que uma ressonância magnética com cortes e sequências finos e especiais. Esse “mapa” é transferido para um software que processa as imagens e deixa a disposição do neurocirurgião para ele fazer um planejamento da lesão a ser retirada antes que o paciente esteja no centro cirúrgico. Veja alguns exemplos:


lesoes cerebrais

Quando o paciente está no centro cirúrgico anestesiado o aparelho de neuronavegador permite fazermos um “scanner” de superfície de alguns referenciais anatômicos do paciente. Ele então funde as imagens da ressonância com a anatomia do paciente e permite que daí em diante que o cirurgião toque com um instrumento semelhante a uma pinça em qualquer lugar do crânio do paciente e imediatamente o monitor mostre o local correspondente em tempo real.

reconhecimento facial
monitoramento facial
profundidade da lesao

Baseado nestas imagens:

O neurocirurgião pode decidir qual o melhor lugar da incisão cirúrgica e da craniotomia (abertura do osso), fazendo-as de tamanho mínimo necessário. Mesmo após ter iniciado o procedimento, conforme se aprofunda a cirurgia no cérebro, o neurocirurgião vai usando essa pinça como guia para saber qual direção seguir até a lesão, com um trajeto muito mais preciso. Após a ressecção o cirurgião pode ainda verificar se a cavidade cirúrgica final corresponde aos bordos da lesão, para estimar se obteve uma ressecção total ou subtotal. Caso estejamos próximos a áreas eloquentes, muitas vezes paramos a cirurgia antes de tirar o tumor inteiro para não causar sequelas neurológicas graves ao paciente.


Em que situações devemos usar a neuronavegação?

Essa decisão envolve muitos fatores e por isso você deve consultar o seu médico neurocirurgião para que ele lhe explique o porquê de usar ou não esta tecnologia na sua cirurgia.

De uma forma geral lesões pequenas e próximas a áreas eloquentes, estruturas cerebrais ou tractos importantes (ver uso de tractografia intraoperatória) podem se beneficiar do uso do neuronavegador.


É possível associar a neuronavegação a outras tecnologias?

Sim. Em algumas cirurgias endoscópicas podemos usar o neuronavegador para verificar o trajeto mais adequado do neuroendoscópio em tempo real e guiar ressecções tumorais. Também é possível utilizar a neuronavegação nas cirurgias de derivação ventricular peritoneal (DVP) para guiar a colocação de cateteres intraventriculares quando os ventrículos apresentam tamanho reduzido ou apresentam-se muito deslocados por tumores por exemplo.

* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.