linhahorizonte

Outras doenças

SÍNDROME DE CHIARI



A síndrome de Arnold-Chiari foi descrita pela primeira vez em 1891. Ela consiste em uma malformação congênita que se divide em vários tipos e gravidades e que pode incluir alterações na parte de trás do crânio (chamada de fossa posterior), no cerebelo e posicionamento do tronco cerebral (estrutura fundamental na condução dos impulsos nervosos).


Quais são os tipos de Chiari?

Chiari I – caracteriza-se pelo deslocamento das amígdalas cerebelares (parte anatômica do cerebelo) para baixo em direção ao forâmen magno, que é um buraco no crânio por onde passa a medula espinhal. Com esse deslocamento a medula pode ser apertada pelas amígdalas.

Chiari II – inclui deslocamento através do forâmen magno de parte do cerebelo e da porção baixa do tronco cerebral. Esse tipo de Chiari é geralmente associado à mielomeningocele.

Chiari III – deslocamento maior de uma porção do cerebelo e porção inferior do tronco cerebral para bolsa na região cervical alta que sai para fora do crânio, caracterizando uma encefalocele occipto-cervical. É o tipo mais grave.

Sindrome-de-Chiari-I

Chiari IV – Alteração no desenvolvimento do cerebelo, que fica pequeno (hipodesenvolvimento)

Os sintomas dependem do tipo de Chiari. O tipo I pode ser assintomático por toda a vida, mas quando há sintomas eles geralmente se manifestam por volta da 3ª ou 4ª décadas de vida. Neste caso os sintomas incluem dor na parte de trás do pescoço, dor de cabeça intensa, fraqueza muscular, dormência ou alteração da sensibilidade nos membros e dificuldade de equilíbrio. Outros sintomas que podem surgir são: vertigem, distúrbios visuais, zumbidos, dificuldade para engolir, palpitação, apnéia do sono, diminuição das habilidades motoras finas e fadiga crônica. Esses sintomas são causados pela compressão da medula pelas amígdalas cerebelares, podendo causar a chamada seringomielia (cavidade de líquido dentro da medula).

Sindrome-de-Chiari

O Chiari tipo 2 geralmente tem como principal complicação a hidrocefalia. Mas também podem haver outros sintomas como dor de cabeça (especialmente quando tosse ou inclina o corpo para frente), alterações nas cordas vocais, problemas respiratórios e problemas motores e sensitivos nos braços e pernas.

O diagnóstico é feito pelo exame neurológico e exames de imagem, em especial a ressonância magnética. O tratamento dependerá da gravidade da alteração anatômica e do quadro clínico do paciente. Podemos fazer apenas a avaliação e acompanhamento ou indicar cirurgias para correção deste problema, como expansão da fossa posterior.

* Esse texto foi produzido e editado por Dra Raquel Zorzi - CRM 142761 - RQE 56460.